Principais cuidados com crianças e medicamentos

Thiago Rodrigues

Thiago Rodrigues   |  09 de junho 2025

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Principais cuidados com crianças e medicamentos

Medicamentos são aliados fundamentais no tratamento de doenças e no alívio de sintomas, porém, quando o paciente é uma criança, os cuidados devem ser redobrados. O organismo infantil ainda está em desenvolvimento e reage de maneira diferente aos princípios ativos usados em medicamentos. Além disso, erros na administração, automedicação, armazenamento inadequado e falta de informação podem provocar efeitos colaterais graves ou até acidentes fatais.

Neste artigo, você encontrará orientações práticas e essenciais sobre como garantir o uso seguro de medicamentos em crianças, com base em recomendações de especialistas, órgãos de saúde e boas práticas familiares.

Por que é tão importante ter cuidado com medicamentos em crianças?

As crianças, especialmente as menores de 5 anos, estão em constante descoberta do mundo ao seu redor. Colocar objetos na boca, experimentar sabores e cores, e a curiosidade natural da idade são fatores que aumentam o risco de ingestão acidental de substâncias tóxicas — e isso inclui medicamentos.

Além disso, o metabolismo infantil é diferente do de um adulto. O fígado e os rins das crianças não têm a mesma capacidade de processar medicamentos, o que pode aumentar o risco de intoxicação mesmo com doses que seriam seguras para um adulto.

Dados preocupantes

Segundo o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), medicamentos estão entre os principais causadores de intoxicação em crianças no Brasil. Muitos desses casos ocorrem dentro de casa, por erro de dosagem ou acesso fácil aos remédios.

1. Armazenamento seguro: onde e como guardar os medicamentos?

O primeiro passo para garantir a segurança é o armazenamento adequado. Os remédios devem estar fora do alcance e da vista das crianças, preferencialmente em armários altos, trancados ou com trava de segurança.

Boas práticas de armazenamento:

  • Evite guardar medicamentos em gavetas baixas, bolsas, mochilas ou armários acessíveis.
  • Nunca deixe remédios em cima da pia, balcões ou ao lado da cama.
  • Armazene os medicamentos na embalagem original com rótulo e bula.
  • Mantenha os remédios em locais secos, frescos e longe da luz solar, salvo se houver orientação contrária na embalagem.
  • Preste atenção à data de validade e descartar imediatamente medicamentos vencidos.

2. Administração correta: dosagem, horários e utensílios

Siga a receita médica à risca

A dosagem correta é um dos pontos mais críticos no uso de medicamentos pediátricos. Nunca improvise. A frase “só um pouquinho não faz mal” pode ser perigosa quando se trata da saúde infantil.

Utensílios apropriados

  • Nunca use colheres de cozinha, pois elas variam em tamanho.
  • Use seringas dosadoras, copinhos graduados ou conta-gotas, que geralmente acompanham o medicamento.
  • Confira duas vezes a unidade de medida prescrita (mL, gotas, mg).
  • Caso tenha dúvidas, pergunte ao farmacêutico ou médico.

Respeite os intervalos

  • Respeitar o horário entre as doses é fundamental para a eficácia e segurança do tratamento.
  • Use alarmes no celular ou planilhas de controle para ajudar.
  • Não dobre a dose se esquecer um horário — consulte o pediatra.

3. Nunca pratique automedicação

Automedicar uma criança é um risco grave e um erro comum entre pais e cuidadores. A intenção é aliviar rapidamente um sintoma, mas pode resultar em reações inesperadas, agravamento da doença e até complicações severas.

Por que evitar a automedicação?

  • O mesmo sintoma pode ter causas diferentes. Por exemplo, febre pode ser sinal de infecção, reação inflamatória ou algo mais sério.
  • Alguns medicamentos são contraindicados para determinadas faixas etárias.
  • Interações entre medicamentos podem causar efeitos adversos.
  • Medicamentos usados por adultos nem sempre são seguros para crianças, mesmo que em menor dose.

Sempre que surgir um sintoma, procure um pediatra. Apenas um profissional pode avaliar corretamente a situação e prescrever o melhor tratamento.

4. Como agir em caso de ingestão acidental?

Mesmo com todos os cuidados, acidentes podem acontecer. Por isso, é essencial saber como agir de forma rápida e segura.

O que fazer:

Mantenha a calma.

  • Verifique o que foi ingerido, a quantidade e o horário.
  • Não provoque vômito, a menos que orientado por um profissional.
  • Ligue imediatamente para o Centro de Intoxicação (0800 722 6001) ou leve a criança ao pronto atendimento mais próximo.
  • Leve a embalagem e a bula do medicamento com você para facilitar a avaliação médica.

5. Dicas adicionais para um uso seguro

  • Ensine as crianças desde cedo que medicamentos não são balas nem brinquedos.
  • Nunca chame remédio de “docinho” ou “suquinho”, pois isso pode gerar curiosidade.
  • Mantenha uma lista atualizada dos medicamentos que a criança usa, incluindo nome comercial, dosagem e horários.
  • Avise familiares e cuidadores sobre os cuidados e medicamentos que a criança está utilizando.
  • Ao viajar, leve os medicamentos da criança na bagagem de mão, junto com a receita médica.

6. Vacinas também são medicamentos

Vacinas fazem parte do cuidado com a saúde infantil. Mantenha o cartão de vacinação em dia e siga os prazos recomendados pelo Ministério da Saúde.

Caso a criança apresente reação à vacina, como febre ou vermelhidão no local da aplicação, consulte o pediatra antes de administrar qualquer remédio, inclusive antitérmicos.

7. Papel da farmácia e do profissional de saúde

Farmacêuticos e pediatras são aliados dos pais na missão de cuidar bem das crianças. Sempre que tiver dúvida sobre:

  • Nome e indicação do medicamento
  • Forma correta de administração
  • Reações adversas possíveis
  • Interações com outros medicamentos

Procure orientação profissional.

Conclusão

O uso de medicamentos em crianças exige atenção constante, conhecimento e responsabilidade. Evitar automedicação, seguir rigorosamente as prescrições, usar utensílios corretos para dosagem e manter os medicamentos fora do alcance infantil são atitudes simples, mas que salvam vidas.

Pais, mães e responsáveis devem enxergar os medicamentos como ferramentas de cura, mas também como substâncias que, se mal utilizadas, podem causar sérios danos. A prevenção, o cuidado e a informação são os melhores remédios.

Fontes e referências

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