Cuidados com a automedicação: quando procurar um médico em vez de uma farmácia

Thiago Rodrigues

Thiago Rodrigues   |  10 de junho 2025

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Cuidados com a automedicação: quando procurar um médico em vez de uma farmácia

A automedicação é um hábito enraizado na cultura brasileira. Muitas pessoas, ao sentirem um desconforto, vão direto à farmácia em busca de uma solução rápida, sem passar por uma avaliação médica. Essa prática, embora pareça inofensiva em alguns casos, pode esconder riscos sérios à saúde. De acordo com o Conselho Federal de Farmácia, cerca de 77% dos brasileiros se automedicam com frequência — um número alarmante que exige atenção e conscientização.

Neste artigo, vamos abordar os riscos da automedicação, quando ela pode ser aceitável e, principalmente, os sinais de alerta que indicam a necessidade de procurar um médico em vez de se automedicar.

O que é automedicação?

Automedicação é o ato de consumir medicamentos sem prescrição médica. Isso inclui:

  • Uso de remédios recomendados por amigos, familiares ou pela internet.
  • Reutilização de receitas antigas.
  • Consumo de medicamentos que restaram em casa após tratamentos anteriores.
  • Compra de fármacos isentos de prescrição (como analgésicos e antitérmicos) sem orientação profissional.

Embora alguns medicamentos de venda livre possam parecer inofensivos, o uso inadequado pode trazer efeitos colaterais, mascarar doenças sérias e até agravar quadros clínicos.

Os perigos da automedicação

Muitos subestimam os riscos da automedicação, acreditando que “se vende na farmácia, não deve fazer mal”. Porém, essa é uma visão equivocada. Entre os principais perigos estão:

1. Mascaramento de doenças graves

Tomar remédios para “aliviar” um sintoma pode impedir que a causa real do problema seja identificada. Um simples analgésico pode esconder sinais de uma infecção, de um problema neurológico ou até de doenças cardíacas, dificultando o diagnóstico precoce e comprometendo o tratamento.

2. Reações adversas e efeitos colaterais

Todo medicamento pode provocar efeitos colaterais. Náuseas, tonturas, sonolência e reações alérgicas são alguns exemplos. Em alguns casos, esses efeitos podem ser severos e exigir atendimento médico de urgência.

3. Interações medicamentosas perigosas

Tomar mais de um remédio sem conhecimento técnico pode resultar em interações medicamentosas prejudiciais. Por exemplo, o uso simultâneo de anti-inflamatórios com anticoagulantes pode aumentar o risco de hemorragias. Já alguns antibióticos podem anular o efeito de anticoncepcionais.

4. Resistência bacteriana

O uso incorreto de antibióticos, principalmente sem receita, é uma das principais causas da resistência bacteriana — um problema de saúde pública global. Bactérias resistentes tornam as infecções mais difíceis de tratar e podem levar à morte.

5. Dependência e abuso

Alguns medicamentos, como os ansiolíticos, antidepressivos e analgésicos potentes (como a dipirona em doses altas ou opioides), podem causar dependência quando usados sem controle. O uso frequente pode exigir doses maiores para o mesmo efeito e provocar sintomas de abstinência ao serem interrompidos.

Quando a automedicação pode ser considerada segura?

Apesar dos riscos, nem toda automedicação é necessariamente perigosa. Em alguns casos, é possível utilizar medicamentos de venda livre com segurança, desde que com moderação e responsabilidade. Situações como:

  • Dores musculares leves, causadas por esforço físico, podem ser aliviadas com analgésicos comuns como o paracetamol.
  • Dor de cabeça ocasional, especialmente quando identificamos a causa (estresse, falta de sono).
  • Sintomas leves de gripe ou resfriado, como coriza, leve dor no corpo e febre baixa, podem ser tratados com antitérmicos e descongestionantes.
  • Cortes ou ferimentos superficiais, desde que higienizados corretamente, podem ser tratados com pomadas antibióticas e curativos.

Nestes casos, o farmacêutico pode orientar sobre a melhor opção de medicamento, desde que os sintomas sejam leves e passageiros.

No entanto, é fundamental que o paciente acompanhe a evolução dos sintomas e, caso não haja melhora em 48 horas, busque um médico.

Quando procurar um médico?

Há sinais claros de que é preciso interromper a automedicação e procurar um atendimento médico imediato. Entre eles:

Duração prolongada dos sintomas

Se sintomas como dor, febre ou mal-estar persistirem por mais de 2 dias, é sinal de que o organismo pode estar enfrentando algo mais sério.

Febre alta (acima de 39°C)

Febre é um dos principais sinais de infecção no corpo. Se a temperatura ultrapassar os 39°C ou persistir por mais de 48 horas, é necessário procurar um médico.

Dificuldade respiratória

Sintomas como falta de ar, chiado no peito, dor ao respirar ou sensação de aperto no peito devem ser avaliados com urgência. Podem indicar problemas pulmonares, cardíacos ou reações alérgicas severas.

Vômitos e diarreia intensos

Se a pessoa estiver vomitando com frequência, apresentar diarreia intensa ou sinais de desidratação (boca seca, tontura ao se levantar, urina escura), é necessário atendimento imediato.

Tontura, confusão mental ou desmaios

Esses sintomas podem estar ligados a desequilíbrios eletrolíticos, problemas neurológicos ou cardiovasculares, e requerem avaliação médica.

Uso de antibióticos ou remédios controlados

Antibióticos só devem ser usados com prescrição, pois seu uso inadequado compromete a eficácia e contribui para a resistência bacteriana. Já medicamentos controlados podem causar dependência e exigem acompanhamento médico.

Pacientes com doenças crônicas

Pessoas com diabetes, hipertensão, problemas cardíacos, renais ou respiratórios crônicos devem evitar qualquer tipo de automedicação sem orientação profissional, pois podem sofrer complicações sérias.

O papel das farmácias e farmacêuticos

É importante destacar que as farmácias e seus profissionais têm um papel fundamental no sistema de saúde. O farmacêutico é um profissional qualificado que pode orientar sobre o uso correto de medicamentos isentos de prescrição (MIPs), identificar possíveis reações adversas, alertar sobre interações medicamentosas e, principalmente, recomendar a procura de um médico quando necessário.

Entretanto, o farmacêutico não pode substituir o médico na investigação de causas ou na prescrição de medicamentos controlados.

Como se prevenir e evitar a automedicação indevida

Aqui estão algumas dicas para lidar com sintomas leves de forma segura:

  • Mantenha a caderneta de vacinação em dia.
  • Adote hábitos saudáveis: alimentação balanceada, sono adequado e prática de exercícios ajudam a fortalecer o sistema imunológico.
  • Tenha um kit de primeiros socorros básico em casa, com analgésicos, antitérmicos, antissépticos e curativos, mas use-os com cautela.
  • Evite “diagnósticos” por internet ou redes sociais.
  • Converse com o farmacêutico, mas não hesite em buscar ajuda médica se os sintomas forem persistentes, fortes ou incomuns.

Conclusão

A automedicação é um reflexo da busca por soluções rápidas em um sistema de saúde muitas vezes inacessível. Porém, os riscos do uso indiscriminado de medicamentos não podem ser ignorados. Aliviar um sintoma momentaneamente pode custar caro à saúde no futuro.

A farmácia é uma aliada importante nos cuidados básicos do dia a dia, mas não substitui o médico. Saber quando procurar ajuda profissional é um ato de responsabilidade consigo mesmo e com os outros. O equilíbrio entre a orientação farmacêutica e a avaliação médica garante mais segurança, eficácia no tratamento e prevenção de complicações.

Fontes e Referências

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