Medicamentos para emagrecer: quem pode usar e quais os riscos?
Thiago Rodrigues | 18 de junho 2025

Medicamentos para emagrecer: quem pode usar e quais os riscos?
A busca por um corpo mais magro, muitas vezes motivada por padrões estéticos ou pressões sociais, tem levado um número crescente de pessoas a recorrer a medicamentos para emagrecer. No entanto, o uso desses remédios exige atenção redobrada. Apesar de prometerem resultados rápidos, eles não são isentos de riscos, especialmente quando utilizados sem indicação médica.
Neste artigo, vamos entender quem pode usar medicamentos para emagrecer, os tipos mais comuns, como funcionam, os riscos envolvidos e por que é essencial aliar o tratamento a mudanças no estilo de vida.
Quem pode usar medicamentos para emagrecer?
Segundo as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), medicamentos para emagrecimento não devem ser usados de forma indiscriminada. Eles são recomendados apenas em casos específicos, que envolvem riscos reais à saúde.
Critérios para prescrição
- IMC ≥ 30 kg/m² (obesidade grau I): nesses casos, os medicamentos podem ser indicados como parte de um plano de emagrecimento supervisionado.
- IMC entre 27 e 29,9 kg/m², desde que haja doenças associadas como:
- Hipertensão arterial
- Diabetes tipo 2
- Dislipidemias (colesterol alto)
- Apneia do sono
A prescrição deve ser feita exclusivamente por um médico, preferencialmente endocrinologista, que irá avaliar o histórico de saúde do paciente, seu perfil metabólico e a presença de comorbidades.
Principais tipos de medicamentos para emagrecer
Anfetaminas (exemplo: Sibutramina)
- Agem inibindo a recaptação dos neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina.
- Isso reduz o apetite e aumenta o gasto calórico.
- São recomendadas com cautela devido aos riscos cardiovasculares e efeitos no sistema nervoso central.
Agonistas de GLP-1 (exemplos: Semaglutida, Liraglutida)
- Imitam o hormônio GLP-1, responsável por regular a saciedade e o controle da glicose.
- Atrasam o esvaziamento do estômago e aumentam a sensação de saciedade.
- Têm eficácia comprovada na perda de peso, inclusive em pacientes com diabetes tipo 2.
Inibidores de lipase (exemplo: Orlistate)
- Atuam no intestino, bloqueando a absorção de parte das gorduras ingeridas na alimentação.
- As gorduras não absorvidas são eliminadas pelas fezes.
- Podem causar efeitos gastrointestinais desconfortáveis, como diarreia oleosa e cólicas.
Suplementos naturais (exemplos: chá verde, quitosana)
- Possuem ação leve, podendo aumentar discretamente o metabolismo ou dificultar a absorção de gordura.
- Seus efeitos são geralmente modestos e não substituem medicamentos com eficácia comprovada.
- Devem ser usados com orientação, pois também podem apresentar interações medicamentosas ou efeitos adversos.
Destaque: Semaglutida e Liraglutida
Nos últimos anos, medicamentos como semaglutida (vendida com nomes como Ozempic® e Wegovy®) e liraglutida (Saxenda®) ganharam destaque por sua eficácia comprovada na perda de peso. Originalmente usados no tratamento do diabetes tipo 2, eles passaram a ser prescritos também para obesidade, com bons resultados em estudos clínicos.
Riscos envolvidos no uso de medicamentos para emagrecer
Apesar de poderem ajudar no processo de emagrecimento, esses medicamentos apresentam efeitos colaterais e contraindicações que devem ser considerados.
Efeitos adversos mais comuns:
- Sibutramina:
- Aumento da pressão arterial
- Taquicardia
- Ansiedade e insônia
- Risco de eventos cardiovasculares
- Agonistas de GLP-1 (Semaglutida/Liraglutida):
- Náuseas
- Vômitos
- Prisão de ventre
- Risco de pancreatite
- Orlistate:
- Diarreia oleosa
- Gases com liberação de gordura
- Cólicas abdominais
- Suplementos naturais:
- Reações alérgicas
- Interações medicamentosas
- Falta de eficácia comprovada
Riscos graves
Além dos efeitos comuns, alguns medicamentos — especialmente os que atuam no sistema nervoso central, como a sibutramina — podem causar dependência psicológica, agravamento de transtornos psiquiátricos e eventos cardiovasculares. Por esse motivo, a sibutramina chegou a ser proibida em diversos países da Europa e permanece sob monitoramento da Anvisa no Brasil.
Uso sem prescrição: um perigo silencioso
O uso sem supervisão médica, especialmente com a automedicação e a compra pela internet, aumenta consideravelmente os riscos. Muitas fórmulas vendidas ilegalmente contêm substâncias proibidas ou mascaradas, como anabolizantes, diuréticos potentes e anfetaminas disfarçadas de fitoterápicos.
A automedicação com esses produtos pode levar a:
- Desidratação severa
- Distúrbios eletrolíticos
- Crises de ansiedade
- Paradas cardíacas
- Internações por intoxicação
Por que mudanças no estilo de vida ainda são indispensáveis?
Mesmo quando medicamentos são indicados, eles não substituem hábitos saudáveis. O tratamento da obesidade exige uma abordagem completa que envolve:
- Reeducação alimentar com foco em qualidade nutricional
- Atividade física regular
- Terapia comportamental, se necessário
- Acompanhamento médico constante
Medicamentos podem auxiliar, mas raramente são solução definitiva. Sem mudanças sustentáveis, o peso perdido costuma ser recuperado com o tempo.
Conclusão
Medicamentos para emagrecer podem ser aliados importantes no tratamento da obesidade, principalmente em casos em que o excesso de peso representa risco à saúde. No entanto, o uso deve ser criterioso, sempre com prescrição médica e acompanhamento profissional.
É essencial entender que o emagrecimento saudável é um processo que vai além de pílulas e fórmulas rápidas. A construção de novos hábitos, a conscientização sobre o próprio corpo e o suporte de profissionais capacitados são o verdadeiro caminho para resultados duradouros.
Fontes e referências
🔹 ANVISA
- Sibutramina e remédios para emagrecer: entenda
- Medicamentos agonistas GLP‑1 só poderão ser vendidos com retenção da receita
🔹 ABESO
- Nota conjunta sobre o uso da semaglutida no emagrecimento (março/2023)
- Medicamentos alternativos ou manipulados para obesidade e diabetes (fev/2025)
- Tratamento farmacológico (documento técnico 2025)
🔹 InfoSUS - Sibutramina, cloridrato – perfil clínico e indicações
🔹 CONITEC / Ministério da Saúde