Principais Mitos sobre Vacinas: O Que é Fake News e o Que é Verdade
Thiago Rodrigues | 27 de junho 2025

As vacinas são, sem dúvida, uma das maiores conquistas da medicina moderna e da saúde pública mundial. Desde a introdução da vacinação, bilhões de vidas foram salvas e doenças outrora devastadoras, como varíola e poliomielite, foram eliminadas ou drasticamente reduzidas em diversas regiões do planeta.
Apesar de seu sucesso e eficácia comprovada, as vacinas enfrentam resistência por parte de grupos que propagam informações falsas ou distorcidas, alimentando o movimento antivacina. Em tempos de redes sociais e comunicação instantânea, as fake news sobre vacinação se espalham com grande rapidez, provocando dúvidas e medos infundados.
Neste artigo, vamos desmascarar os principais mitos sobre vacinas, com base em evidências científicas e fontes confiáveis. Vamos entender o que é verdade, o que é desinformação e quais são os impactos dessas crenças na saúde coletiva.
1. Mito: Vacinas causam autismo
Fato: Não há qualquer evidência científica que relacione vacinas ao autismo.
Esse mito teve origem em 1998, quando o médico britânico Andrew Wakefield publicou um estudo na revista The Lancet alegando uma suposta ligação entre a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e o desenvolvimento de autismo. O estudo foi posteriormente desmascarado, considerado fraudulento, e o autor perdeu sua licença médica.
Desde então, inúmeros estudos de larga escala, realizados em diferentes países e populações, confirmaram que não existe nenhuma relação causal entre vacinas e autismo. Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) reafirmam a segurança das vacinas.
2. Mito: Vacinas contêm microchips para controle populacional
Fato: Não existe nenhum tipo de tecnologia de rastreamento ou microchip inserido em vacinas.
Durante a pandemia de COVID-19, esse boato ganhou destaque em diversas redes sociais, associando figuras públicas e empresas de tecnologia a um suposto plano de vigilância global através da vacinação. Essa teoria conspiratória não tem qualquer base científica. Nenhuma vacina aprovada possui qualquer componente eletrônico ou de rastreamento.
Vacinas são compostas por:
- Antígenos: substâncias que estimulam a resposta imunológica.
- Adjuvantes: componentes que potencializam a eficácia da vacina.
- Estabilizantes e conservantes: utilizados para garantir a segurança e conservação do produto.
Todos esses ingredientes são seguros, regulados por órgãos sanitários como a ANVISA, a FDA e a OMS.
3. Mito: Vacinas contêm substâncias tóxicas em doses perigosas
Fato: Os componentes das vacinas são seguros e usados em quantidades mínimas.
Algumas pessoas temem substâncias como mercúrio (em forma de timerosal), alumínio ou formaldeído presentes em algumas vacinas. No entanto, essas substâncias estão presentes em doses extremamente pequenas, muitas vezes menores do que as que consumimos diariamente em alimentos ou bebidas.
Além disso, a maioria das vacinas atuais sequer utiliza timerosal, e aquelas que utilizam estão dentro dos padrões de segurança estipulados por agências reguladoras internacionais. Nenhum estudo científico sério mostrou qualquer relação entre esses componentes e riscos significativos à saúde.
4. Mito: O sistema imunológico das crianças pode ser sobrecarregado por vacinas
Fato: Vacinas fortalecem o sistema imunológico de forma controlada e eficaz.
O sistema imunológico humano, desde os primeiros meses de vida, é exposto a milhares de agentes externos diariamente. As vacinas representam apenas uma fração muito pequena dessa carga antigênica. Elas preparam o organismo para se defender de ameaças reais, de maneira segura e sem causar a doença.
O calendário vacinal é cuidadosamente planejado por especialistas em saúde pública e imunologia, levando em consideração o desenvolvimento infantil e a capacidade do sistema imunológico de responder adequadamente.
5. Mito: Doenças preveníveis por vacinas já desapareceram, então não há mais necessidade de vacinar
Fato: Doenças só desaparecem quando a vacinação é mantida em níveis elevados.
Doenças como o sarampo, poliomielite e difteria ainda existem em várias partes do mundo, e podem ressurgir em países onde a cobertura vacinal diminui. Foi o que aconteceu no Brasil em 2018, com o retorno do sarampo, após anos sem registros, devido à queda nas taxas de vacinação.
Enquanto houver pessoas não vacinadas, existe o risco de reintrodução dessas doenças. A vacinação coletiva (imunidade de rebanho) é essencial para proteger todos, especialmente os que não podem ser vacinados por questões médicas.
6. Mito: A vacina contra a gripe causa gripe
Fato: A vacina contra a gripe não causa a doença.
A vacina da gripe é feita com vírus inativados ou fragmentados, incapazes de causar infecção. O que pode ocorrer, em algumas pessoas, são reações leves como dor no local da aplicação ou febre baixa, que indicam que o sistema imunológico está respondendo à vacina.
Além disso, a vacina não protege contra todas as infecções respiratórias, e muitas vezes o resfriado comum é confundido com a gripe. A imunização contra a influenza reduz significativamente o risco de complicações graves, internações e mortes, especialmente entre idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.
7. Mito: Vacinas são uma forma de lucro para a indústria farmacêutica
Fato: Vacinas são um dos produtos menos lucrativos para a indústria, mas de maior impacto na saúde pública.
Embora seja verdade que empresas farmacêuticas lucrem com medicamentos, as vacinas representam uma pequena fatia do mercado farmacêutico. O maior investimento em vacinação é feito por governos e organizações internacionais como a OMS e a Unicef, que compram vacinas para campanhas de imunização pública.
A eficácia das vacinas em reduzir internações, custos hospitalares e mortalidade infantil é amplamente reconhecida. O retorno social e econômico da vacinação é muito maior do que o investimento realizado.
Vacinas Salvam Vidas
Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 3 a 5 milhões de vidas são salvas a cada ano graças às vacinas. Doenças como:
- Sarampo
- Coqueluche
- Tétano
- Meningite
- Hepatite B
- Rubéola
…foram drasticamente reduzidas graças à vacinação em massa.
Com a erradicação da varíola, a humanidade teve uma prova concreta do poder das vacinas. A próxima meta global é eliminar a poliomielite — que ainda resiste em poucos países devido à baixa cobertura vacinal.
Conclusão
Vacinar é um ato de amor, de cuidado coletivo e de responsabilidade social. A disseminação de mitos e fake news coloca em risco anos de avanços em saúde pública, podendo trazer de volta doenças que já estavam controladas.
A melhor forma de combater a desinformação é com educação, ciência e diálogo aberto. Sempre busque informações em fontes confiáveis, como:
Fontes e Referencias
- Organização Mundial da Saúde (OMS)
- Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC)
- Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
- Ministério da Saúde / Anvisa
Vacinas são seguras, eficazes e essenciais. Proteger-se é proteger a todos.