O que fazer em caso de reação alérgica a medicamentos?
Thiago Rodrigues | 21 de julho 2025

Reações alérgicas a medicamentos são eventos que exigem atenção e resposta rápida. Elas podem variar de manifestações leves, como coceiras e manchas na pele, até casos graves de anafilaxia, que representam risco de vida. Saber como agir diante de uma suspeita de alergia medicamentosa é fundamental para garantir a segurança do paciente. Neste artigo, você vai entender o que são essas reações, como reconhecê-las, quais atitudes tomar e como se proteger no futuro.
O que é uma reação alérgica a medicamentos?
Uma reação alérgica a medicamentos acontece quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a uma substância do remédio, tratando-a como um agente nocivo. Essa resposta imune desencadeia a liberação de histamina e outras substâncias químicas, que causam os sintomas da alergia.
É importante destacar que nem toda reação adversa a um remédio é uma alergia verdadeira. Algumas reações, como náuseas, sonolência, dor de cabeça ou dor abdominal, são efeitos colaterais e não envolvem o sistema imunológico. Já nas alergias medicamentosas, há envolvimento direto de células de defesa, o que torna a reação potencialmente mais perigosa.
Principais sintomas de alergia a medicamentos
Os sinais podem surgir minutos ou até algumas horas após a ingestão ou aplicação do medicamento. Em alguns casos, especialmente após exposições repetidas, a reação pode ser mais rápida e intensa.
Sintomas leves a moderados:
- Urticária: manchas vermelhas na pele com coceira intensa
- Coceira generalizada (sem lesões visíveis)
- Angioedema: inchaço dos lábios, pálpebras, rosto ou língua
- Olhos lacrimejantes ou irritados
Sintomas graves:
- Dificuldade para respirar ou sensação de sufocamento
- Chiado no peito ou respiração ruidosa
- Tontura, desmaio ou pressão baixa
- Náuseas, vômitos, dor abdominal intensa
- Anafilaxia: reação sistêmica grave, que pode causar parada respiratória e choque anafilático. Exige atendimento imediato.
O que fazer ao perceber os primeiros sintomas?
1. Interrompa o uso do medicamento imediatamente
Assim que houver suspeita de uma reação alérgica, suspenda o medicamento. Não continue o tratamento por conta própria. Tome nota do nome do remédio, dose e horário em que foi tomado, pois essas informações serão importantes para o atendimento médico.
2. Avalie a gravidade da reação
- Se os sintomas forem leves (coceira, pequenas manchas, irritação local), entre em contato com o médico que prescreveu o medicamento. Ele poderá indicar uma alternativa ou prescrever um antialérgico.
- Se houver sintomas graves, como falta de ar, inchaço na garganta ou queda de pressão, ligue imediatamente para o SAMU (192) ou procure um pronto-socorro. Reações graves evoluem rapidamente e são emergências médicas.
3. Use medicamentos antialérgicos, se já prescritos
Se a pessoa tiver histórico de alergia leve conhecida e já tiver recebido orientação médica, o uso de um anti-histamínico (como loratadina, dexclorfeniramina ou fexofenadina) pode aliviar os sintomas leves. Mas atenção: não use corticoides ou outras medicações por conta própria, especialmente em reações moderadas ou graves.
Caso de anafilaxia: uso imediato de adrenalina
Pessoas com histórico de anafilaxia podem portar um autoaplicador de adrenalina (como o EpiPen®), especialmente se já diagnosticadas por alergistas. A administração precoce de epinefrina é essencial para conter a progressão da reação.
Como aplicar a adrenalina?
O dispositivo é injetado no músculo da coxa, mesmo por cima da roupa, e pode salvar vidas. Após a aplicação, é indispensável procurar atendimento de emergência, pois a adrenalina tem efeito temporário.
O que fazer após uma reação alérgica?
Depois da reação inicial, mesmo que os sintomas melhorem, é fundamental procurar um profissional especializado. O tratamento não se encerra com o desaparecimento dos sintomas — é preciso investigar, prevenir e educar o paciente.
1. Consulta com alergista
O especialista poderá solicitar exames como testes cutâneos ou exames de sangue para tentar identificar a substância responsável pela alergia.
2. Atualize seu prontuário médico
Informe todos os profissionais de saúde com quem tiver contato sobre a alergia. Registre o nome do medicamento e seus derivados, evitando novas exposições.
3. Use identificação médica
Se você tem histórico de reações graves, considere usar uma pulseira ou colar de alerta médico, informando o tipo de alergia. Isso pode ser crucial em situações de emergência, especialmente se você estiver inconsciente.
Como prevenir novas reações?
Prevenir é sempre o melhor caminho quando o assunto é alergia a medicamentos. Aqui estão algumas recomendações essenciais:
- Evite a automedicação, especialmente com antibióticos e anti-inflamatórios, que estão entre os medicamentos mais envolvidos em reações alérgicas.
- Informe sempre sobre alergias pré-existentes ao receber uma nova prescrição.
- Guarde os nomes dos medicamentos que causaram reações, incluindo nome comercial e princípio ativo.
- Para pacientes com alergias múltiplas ou complexas, o alergista pode criar um cartão personalizado de alerta, com instruções sobre medicamentos seguros.
Medicamentos mais frequentemente associados a reações alérgicas
Embora qualquer substância possa causar alergia, alguns medicamentos têm maior propensão a desencadear reações:
- Antibióticos (penicilina, amoxicilina, sulfa)
- Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida
- Anticonvulsivantes: carbamazepina, fenitoína
- Quimioterápicos
- Relaxantes musculares usados em anestesia
- Contrastes iodados utilizados em exames de imagem
Conclusão
As reações alérgicas a medicamentos são sérias e, muitas vezes, imprevisíveis. Por isso, é essencial estar atento aos primeiros sinais, agir com rapidez e buscar ajuda médica sempre que necessário. Nunca subestime uma reação alérgica — mesmo sintomas leves podem evoluir para quadros graves se não forem tratados adequadamente.
A chave para evitar complicações está na informação, prevenção e acompanhamento especializado. Conhecer seu histórico, manter o médico informado e estar preparado para agir em emergências pode fazer toda a diferença entre um susto e um risco real à vida.
Fontes e Referências
- Ministério da Saúde – Brasil
- Sociedade Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI)
- Mayo Clinic – Drug allergy: Symptoms and causes
- World Allergy Organization (WAO)