Reajuste nos preços dos medicamentos em 2025
Thiago Rodrigues | 04 de julho 2025

O reajuste anual dos preços dos medicamentos é um tema que gera grande preocupação entre os brasileiros, especialmente os que dependem de tratamentos contínuos. Em 2025, as estimativas apontam para um aumento médio de 6,5%, número que supera o reajuste do ano anterior e pressiona o orçamento das famílias, em especial das que já enfrentam dificuldades econômicas.
Neste artigo, você vai entender por que os preços dos remédios aumentam, como isso afeta o consumidor, quais estratégias podem ser adotadas para minimizar o impacto e o que dizem os dados oficiais sobre essa evolução nos últimos anos.
Por que os medicamentos aumentam de preço?
O reajuste dos preços dos medicamentos no Brasil não é feito de maneira arbitrária pelas farmácias ou laboratórios. Ele é regulado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), vinculada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A CMED considera diversos fatores para calcular o reajuste anual, entre eles:
1. Inflação acumulada no período
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, é o principal parâmetro. O reajuste tende a acompanhar a inflação, já que os custos com insumos, transporte e operação também aumentam com o passar dos meses.
2. Câmbio
Boa parte dos insumos farmacêuticos é importada, o que torna o setor sensível às variações do dólar e de outras moedas estrangeiras. Se o real se desvaloriza, os custos de produção sobem, impactando o preço final ao consumidor.
3. Custos de produção
Além dos insumos, há gastos com logística, embalagem, mão de obra, energia, impostos e outros elementos que compõem o preço final do medicamento.
4. Grau de inovação e concorrência
A CMED também considera o grau de inovação do medicamento e o nível de concorrência do mercado. Quanto mais inovador o produto e menor a concorrência, maior pode ser o preço autorizado.
Comparativo dos reajustes médios dos medicamentos nos últimos anos
- 2021: reajuste médio de 4,5%
- 2022: reajuste médio de 6,2%
- 2023: reajuste médio de 5,9%
- 2024: reajuste médio de 4,2%
- 2025 (estimativa): reajuste médio de 6,5%
O impacto direto no consumidor
Um aumento nos preços dos medicamentos afeta diretamente:
- Pacientes com doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e depressão, que precisam comprar remédios todos os meses.
- Idosos, que geralmente têm múltiplas prescrições.
- Famílias de baixa renda, para quem o gasto com remédio pesa muito no orçamento mensal.
- Sistema público de saúde, já que parte dos medicamentos é fornecida pelo SUS e depende de orçamento governamental.
Em muitos casos, a alta dos preços pode levar ao abandono de tratamentos, o que é extremamente preocupante do ponto de vista da saúde pública.
Como minimizar o impacto no bolso?
Apesar de o reajuste ser inevitável, algumas atitudes podem ajudar o consumidor a economizar e a continuar seu tratamento com segurança:
1. Compare preços entre farmácias
Use sites comparadores de preços, como Consulta Remédios ou Cliquefarma, para saber onde o medicamento está mais barato na sua região ou online.
2. Dê preferência aos medicamentos genéricos
Os genéricos possuem os mesmos princípios ativos e eficácia dos remédios de referência, mas costumam ser até 80% mais baratos. Vale conversar com o seu médico sobre essa possibilidade.
3. Aproveite programas de fidelidade
Diversas redes de farmácia oferecem descontos em programas de fidelidade para medicamentos de uso contínuo. Alguns laboratórios também possuem programas de apoio ao paciente com preços reduzidos.
4. Solicite a dose fracionada
A compra fracionada, embora ainda pouco usada no Brasil, é um direito previsto por lei. Você pode comprar apenas a quantidade exata do medicamento prescrita pelo médico, evitando desperdícios e custos desnecessários.
5. Fique atento a campanhas e farmácias populares
Medicamentos distribuídos gratuitamente ou com preços reduzidos em programas como o Farmácia Popular continuam sendo uma opção válida, especialmente para doenças comuns como hipertensão e diabetes.
Perspectivas para o setor farmacêutico em 2025
Mesmo com o reajuste nos preços, 2025 também deve ser um ano de inovações no setor farmacêutico brasileiro, com a chegada de novos tratamentos e medicamentos mais eficazes. A Anvisa já sinalizou a aprovação de diversos produtos, incluindo biossimilares e tecnologias de liberação prolongada, que podem melhorar a qualidade de vida e reduzir a frequência do uso.
A digitalização de receitas e a expansão das farmácias online também devem contribuir para facilitar o acesso a medicamentos, inclusive com entregas a preços mais competitivos e maior comodidade.
Papel da regulação e da fiscalização
Cabe lembrar que o reajuste não significa que todas as farmácias vão subir os preços automaticamente. O reajuste autorizado pela CMED define o teto máximo de preço para cada produto, mas a aplicação depende da política comercial de cada rede.
Além disso, o consumidor pode denunciar abusos ou aumentos irregulares à Anvisa ou ao Procon da sua cidade. Os preços devem estar dentro do limite estabelecido para cada apresentação do medicamento.
Considerações finais
O reajuste nos preços dos medicamentos em 2025, estimado em 6,5%, reflete fatores econômicos amplos, como inflação e variações cambiais, mas o impacto é sentido diretamente na vida do consumidor brasileiro. Saber como o processo de reajuste funciona, buscar alternativas mais acessíveis e aproveitar os recursos disponíveis no mercado pode fazer toda a diferença no orçamento familiar e na continuidade dos tratamentos médicos.
Mais do que nunca, é essencial que o consumidor esteja informado e atento para garantir seu direito à saúde com dignidade, mesmo diante dos desafios econômicos do país.
Fontes e Referências
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
- Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED)
- Consulta Remédios
- Programa Farmácia Popular