Como funcionam as receitas digitais e assinatura eletrônica de médicos?

Thiago Rodrigues

Thiago Rodrigues   |  21 de junho 2025

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Como funcionam as receitas digitais e assinatura eletrônica de médicos?

A digitalização da saúde ganhou velocidade nos últimos anos, impulsionada pela pandemia de COVID-19. Entre as transformações mais relevantes está a adoção das receitas médicas digitais, que passaram a ser amplamente utilizadas no Brasil. Junto a elas, a assinatura eletrônica tornou-se essencial para garantir a autenticidade desses documentos. O que antes era feito exclusivamente em papel, agora pode ser realizado com apenas alguns cliques — sem perder a validade jurídica ou a segurança.

Neste artigo, você vai entender como funcionam as receitas digitais, como médicos assinam eletronicamente esses documentos, quais as vantagens em relação às receitas físicas e quais cuidados são necessários para evitar fraudes.

O que é uma receita digital?

A receita digital é uma prescrição médica emitida em formato eletrônico, assinada com um certificado digital ICP-Brasil, que confere validade jurídica igual à de uma receita física.

Esse tipo de documento contém todas as informações tradicionais:

  • Identificação do paciente
  • Nome do medicamento ou exame solicitado
  • Dosagem e forma de uso
  • Data da emissão
  • Assinatura digital do médico

Ao contrário de uma simples imagem ou PDF não assinado, a receita digital é protegida contra adulterações e pode ser verificada por farmácias, laboratórios e planos de saúde por meio de mecanismos online, como QR Codes ou validação por número de autenticação.

O que é a assinatura eletrônica e como funciona?

A assinatura eletrônica é a forma pela qual o profissional da saúde atesta a autoria e a integridade de um documento digital. No contexto médico, ela é feita por meio de um certificado digital emitido por uma autoridade certificadora vinculada à Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil).

Existem diferentes níveis de assinatura eletrônica, mas, para prescrições médicas — especialmente de medicamentos controlados —, exige-se a assinatura digital qualificada. Essa assinatura:

  • Garante que o documento foi assinado por aquele profissional específico
  • Permite verificar se o conteúdo da receita foi alterado após a assinatura
  • Traz validade jurídica, sendo aceita por farmácias, hospitais e órgãos reguladores

O médico pode utilizar softwares específicos de prescrição digital ou plataformas integradas com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o CRM de seu estado. A assinatura digital é feita de forma simples: com um token, cartão ou certificado em nuvem, o médico finaliza e autentica a receita em poucos segundos.

Quais as vantagens das receitas digitais?

A transição para o modelo digital trouxe inúmeros benefícios para todos os envolvidos — médicos, pacientes, farmácias e órgãos de controle. Confira os principais:

1. Mais segurança

As receitas digitais com assinatura eletrônica são muito mais seguras que as físicas. Elas são:

  • Imunes a rasuras ou alterações manuais
  • Validadas por sistemas online com autenticação
  • Dificilmente falsificadas, graças à certificação digital

2. Praticidade e agilidade

Com o modelo digital, o paciente pode:

  • Receber a receita por e-mail, SMS ou aplicativos
  • Comprar o medicamento em qualquer farmácia sem precisar voltar ao consultório
  • Compartilhar o documento com planos de saúde ou laboratórios rapidamente

3. Acessibilidade

Pessoas em áreas remotas ou com dificuldades de locomoção se beneficiam da prescrição à distância, desde que feita em contexto de uma teleconsulta regulamentada.

4. Melhor organização

As receitas digitais podem ser armazenadas em nuvem, acessadas a qualquer momento e integradas a prontuários eletrônicos. Isso reduz o risco de perda de documentos e melhora o acompanhamento do histórico do paciente.

Comparativo entre receita física e receita digital

  • Validade
    • Receita física: depende da existência do documento original em papel.
    • Receita digital: tem validade garantida pela assinatura eletrônica.

  • Segurança
    • Receita física: está sujeita a falsificações, rasuras e fraudes.
    • Receita digital: conta com QR Code e certificação digital que garantem autenticidade.

  • Comodidade
    • Receita física: o paciente precisa estar presente para receber o documento impresso.
    • Receita digital: pode ser enviada por e-mail, aplicativo ou outros meios eletrônicos.

  • Acesso remoto
    • Receita física: acesso limitado, pois depende do documento físico.
    • Receita digital: pode ser acessada a qualquer momento e lugar via dispositivos conectados.

  • Armazenamento
    • Receita física: papel pode ser perdido, danificado ou extraviado.
    • Receita digital: arquivada digitalmente com backups, facilitando o armazenamento e o acesso.

  • Verificação
    • Receita física: feita manualmente e visualmente, o que pode ser falho.
    • Receita digital: validação online instantânea por meio de sistemas oficiais ou QR Code.

Como validar uma receita digital?

A maioria das plataformas de prescrição digital oferece mecanismos públicos de validação, nos quais o farmacêutico ou o paciente pode:

  • Acessar um link específico no corpo da receita
  • Inserir um código numérico de autenticação ou escanear o QR Code
  • Confirmar o nome do médico, CRM, data e conteúdo da prescrição

Essa verificação pode ser feita em sites como:

  • Validador do CFM (Conselho Federal de Medicina)
  • Plataformas de prescrição digital credenciadas
  • Portais das farmácias ou redes de saúde

Medicamentos controlados e receitas digitais

Medicamentos da lista C1, C2 ou A (psicotrópicos, antibióticos e outros de controle especial) também podem ser prescritos digitalmente, desde que a plataforma utilizada e a assinatura do médico estejam de acordo com as exigências da Anvisa e da Portaria 467/2020 do Ministério da Saúde.

Nestes casos, é obrigatória:

  • Assinatura digital qualificada (ICP-Brasil)
  • Prescrição por meio de sistemas que emitam receitas digitais com campos obrigatórios conforme modelo da Anvisa

Algumas farmácias ainda não aceitam receitas digitais para esses medicamentos, por isso, é importante verificar antes com o estabelecimento.

Cuidados e limitações

Apesar de suas vantagens, é essencial observar algumas orientações no uso de receitas digitais:

  • Verifique a origem: use apenas plataformas reconhecidas e autorizadas.
  • Desconfie de prescrições enviadas sem teleconsulta: é ilegal emitir receita sem vínculo médico-paciente.
  • Cuidado com a validade: assim como nas receitas físicas, a digital também tem prazos específicos para compra dos medicamentos.
  • Mantenha seus dados protegidos: não compartilhe suas receitas em redes sociais ou com pessoas não autorizadas.

Legislação e regulamentação

A emissão de receitas digitais no Brasil é regulamentada por diversas normas, com destaque para:

  • Medida Provisória nº 983/2020 – Estabeleceu o uso da assinatura eletrônica em documentos públicos e privados.
  • Portaria nº 467/2020 do Ministério da Saúde – Regulamentou a telemedicina e as prescrições digitais durante a pandemia.
  • Resolução CFM nº 2.299/2021 – Normatiza o uso da assinatura digital e a prescrição eletrônica no atendimento médico.

Essas legislações garantem respaldo jurídico ao uso da tecnologia no ambiente da saúde, reforçando a validade das receitas digitais no país.

Conclusão

As receitas digitais e a assinatura eletrônica representam um avanço irreversível na modernização da saúde brasileira. Além de proporcionar mais segurança e praticidade, esse modelo permite o acesso a tratamentos de forma mais rápida e eficiente, especialmente em tempos de transformação digital acelerada.

À medida que mais profissionais aderem à certificação digital e plataformas seguras se tornam populares, o futuro da prescrição médica se torna cada vez mais conectado, ágil e seguro para todos os envolvidos.

Fontes e referências

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