Tendências de Sustentabilidade em Farmácias: Embalagens Recicláveis e Logística Reversa
Thiago Rodrigues | 24 de junho 2025

A crescente conscientização ambiental da sociedade está transformando a forma como diversos setores operam — e o setor farmacêutico não é exceção. Em 2025, as farmácias brasileiras, incluindo grandes redes como Droga Raia e Pague Menos, bem como farmácias de bairro, estão cada vez mais adotando práticas sustentáveis para reduzir o impacto ambiental de suas operações. Entre essas práticas, destacam-se o uso de embalagens recicláveis e a implementação de logística reversa para o descarte de medicamentos vencidos.
A Urgência da Sustentabilidade no Setor Farmacêutico
Com o aumento da produção e consumo de medicamentos, o volume de resíduos gerados também cresceu consideravelmente. De acordo com dados da Anvisa, o Brasil é um dos maiores consumidores de medicamentos do mundo, o que torna urgente o debate sobre o destino correto desses produtos após o uso. Quando descartados de maneira incorreta — no lixo comum ou no esgoto — medicamentos vencidos podem contaminar solos, lençóis freáticos e afetar diretamente a fauna, a flora e até a saúde humana.
Essa preocupação levou ao desenvolvimento de políticas públicas e iniciativas privadas focadas em reduzir esse impacto. Duas ações ganham protagonismo: a adoção de embalagens recicláveis e a logística reversa de medicamentos.
Embalagens Recicláveis: Um Novo Padrão no Setor
As embalagens têm um papel essencial na indústria farmacêutica, garantindo segurança, integridade e informações do medicamento. No entanto, o uso de plásticos, alumínio e papel em grandes quantidades gera uma preocupação ambiental significativa. Por isso, as farmácias e os laboratórios passaram a investir em soluções mais sustentáveis.
Iniciativas de Grandes Laboratórios e Redes de Farmácia
Laboratórios como EMS, Eurofarma e Aché começaram a migrar suas embalagens para versões com matérias-primas recicladas e com maior potencial de reciclagem. Já redes como a Droga Raia e a Pague Menos passaram a exigir de seus fornecedores o cumprimento de critérios ambientais, como a utilização de papel certificado, tintas vegetais e plásticos biodegradáveis.
Além disso, iniciativas como o “selo verde” em caixas de medicamentos vêm sendo utilizadas para indicar ao consumidor que aquele produto possui uma embalagem sustentável, ajudando-o a fazer escolhas mais conscientes.
Educação do Consumidor
Outro aspecto importante é a educação do consumidor sobre como descartar corretamente essas embalagens. Muitas farmácias estão investindo em campanhas informativas com cartazes, QR codes nas embalagens e até treinamentos de balconistas para orientar sobre a separação correta dos resíduos.
Logística Reversa: Para Onde Vão os Medicamentos Vencidos?
A logística reversa é uma das ações mais relevantes e eficazes no combate ao descarte incorreto de medicamentos. Ela consiste na devolução de medicamentos vencidos ou em desuso pelos consumidores, diretamente aos pontos de coleta, que se responsabilizam pelo destino ambientalmente adequado desses resíduos.
Quem Participa?
As redes Droga Raia e Pague Menos lideram a instalação de pontos de coleta em suas unidades. Esses espaços são preparados para receber medicamentos vencidos (com ou sem embalagem), além de cartelas, frascos e bulas.
Farmácias de bairro, embora com menor estrutura, também vêm aderindo ao movimento — muitas vezes por meio de parcerias com cooperativas de reciclagem ou programas municipais de coleta de resíduos especiais.
O Que Pode Ser Descartado?
- Comprimidos, cápsulas, pomadas, cremes e xaropes vencidos
- Cartelas, blisters e frascos (mesmo vazios)
- Embalagens primárias e secundárias
- Bulas e caixas
O Que Não Deve Ser Descartado:
- Agulhas, seringas ou materiais perfurocortantes
- Resíduos hospitalares ou domiciliares contaminados
- Cosméticos e produtos de higiene
Benefícios Ambientais e Sociais
Redução da Poluição
Evitar que medicamentos cheguem aos rios ou ao solo evita a contaminação de ecossistemas e reduz a presença de princípios ativos farmacológicos no meio ambiente, protegendo tanto animais quanto a saúde humana.
Economia Circular
Ao recolher embalagens e insumos farmacêuticos descartados, é possível reaproveitar parte desses materiais em novos ciclos produtivos, alimentando a chamada economia circular — que visa o reaproveitamento máximo de recursos.
Geração de Empregos Verdes
A logística reversa e a triagem de embalagens recicláveis geram oportunidades para cooperativas de catadores e empresas especializadas em reciclagem e reaproveitamento de materiais, promovendo inclusão social e renda.
Obstáculos e Desafios
Apesar dos avanços, há desafios a serem superados:
1. Falta de padronização nacional
Nem todas as cidades brasileiras contam com programas municipais de apoio à logística reversa. A ausência de legislação local ou incentivo pode dificultar a adoção dessas práticas em farmácias menores.
2. Custo de implementação
Investir em pontos de coleta e treinamento de funcionários ainda representa um custo para pequenos estabelecimentos. Incentivos fiscais poderiam facilitar a adesão.
3. Conscientização da população
Muitos consumidores ainda não sabem que medicamentos devem ser descartados em locais específicos. A ampliação de campanhas educativas é fundamental.
O Papel dos Órgãos Reguladores
A Anvisa e o Ibama são os principais órgãos responsáveis por regulamentar e fiscalizar a política de logística reversa no setor farmacêutico. Em 2020, foi publicada a Resolução CONAMA nº 499, que estabelece diretrizes para o descarte de resíduos farmacêuticos domiciliares.
Além disso, há um esforço da Abrafarma para padronizar os pontos de coleta em todo o país, inclusive com a criação de um selo de farmácia sustentável.
O Futuro: Farmácias como Aliadas do Meio Ambiente
A tendência é que, nos próximos anos, práticas sustentáveis deixem de ser diferenciais e passem a ser exigências do consumidor. A geração Z, em especial, valoriza empresas com responsabilidade ambiental. Isso pressionará ainda mais as redes e fabricantes a adotarem práticas sustentáveis como padrão.
Iniciativas como a digitalização de bulas, o uso de QR Codes para evitar o uso de papel, e a entrega de medicamentos em embalagens retornáveis ou biodegradáveis estão no radar das empresas mais inovadoras.
Conclusão
A sustentabilidade no setor farmacêutico não é mais uma tendência passageira, mas uma necessidade urgente. As embalagens recicláveis e a logística reversa são apenas o começo de um movimento que busca alinhar a saúde das pessoas à saúde do planeta.
Redes como Droga Raia e Pague Menos estão dando bons exemplos, mas é essencial que consumidores, farmácias de bairro, laboratórios e o poder público caminhem juntos. O descarte consciente de medicamentos e a escolha de produtos sustentáveis são atitudes simples, mas que fazem toda a diferença.
Fontes e Referencias
- Droga Raia – Portal de Sustentabilidade
- Pague Menos – Responsabilidade Social e Ambiental
- Abrafarma – Relatório de Logística Reversa 2024
- Anvisa – Resíduos de Medicamentos e Logística Reversa
- Ibama – Política Nacional de Resíduos Sólidos